Nesta sexta-feira (16), Belo Horizonte (MG) recebe a Mostra de Filmes de Arte da 6ª VentoSul – Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba. A mostra será exibida às 15h no Auditório do Centro Cultural UFMG. Os vídeos selecionados são uma pequena amostra dentre obras escolhidas pelos curadores para os espaços expositivos da Bienal.
“Uma das prioridades do projeto da Bienal de Curitiba é a democratização no acesso do público à arte contemporânea. A Mostra de Filmes de Arte da Bienal é um importante instrumento para essa democratização. Ela permite que um recorte da Bienal de Curitiba esteja em cinemas, centros culturais e universidades de todas as regiões do país”, explica o diretor da 6ª Bienal de Curitiba, Luiz Ernesto Meyer Pereira.
Além de Belo Horizonte (MG), a Mostra já passou por Macapá (AP), Cascavel e Londrina (PR), Brasília (DF), Florianópolis (SC) e Fortaleza (CE). “O objetivo é levar a diferentes regiões um pouco da reflexão que foi proposta em Curitiba, sobre o conceito ‘Além da Crise’", revela o diretor. A Mostra tem duração de aproximadamente duas horas e a entrada é franca.
Entre os vídeos da Mostra está “Matinee”, da artista Liliana Porter, que trabalha como se estivesse brincando com a realidade e, ao mesmo tempo, ironizando-a, sendo esta uma das mais fortes características de suas obras. O filme está estruturado em uma série de fragmentos, alguns muito breves. Os personagens são toda uma sorte de objetos inanimados, estatuetas e enfeites. A obra faz alusão a eventos e personagens que estão de alguma forma presentes na memória coletiva.
Outro destaque é a obra “Deixa eu Falar”, que Tatzu Rors criou especialmente para a Bienal de Curitiba. O artista fez uma interferência urbana no centro da capital paranaense, na qual expôs um porco assado em uma placa de trânsito, confrontando o "interno x externo", "privado x público".
A 6ª Bienal de Curitiba, terminou no dia 20 de novembro, mas continua em outras cidades com ações como a Mostra de Filmes de Arte. Dessa forma, mesmo quem não pôde visitar o evento na capital paranaense, poderá apreciar um pouco do evento que reuniu obras de mais de 80 artistas de 37 países dos cinco continentes. Para acompanhar todas as novidades, acesse o site www.bienaldecuritiba.com.br.
Mostra de Filmes de Arte da 6ª Bienal de Curitiba em Belo Horizonte (MG)
Dia 16 de dezembro de 2011 (sexta-feira)
15h
Auditório do Centro Cultural UFMG
Av. Santos Dumont, 174 - Centro – Belo Horizonte (MG)
Entrada franca
FILMES
Matinee (2009, 20'46")
Criação / Produção / Direção: Liliana Porter
Co-Direção: Ana Tiscornia
Música composta e executada por: Sylvia Meyer
Videografia e edição: Thomas Moore
Cortesia da artista e Galeria Ruth Benzacar, Buenos Aires
“Matinee / Matiné” está estruturado em uma série de fragmentos, alguns muito breves. Os personagens, como em obras anteriores, são toda uma sorte de objetos inanimados, estatuetas e enfeites. A obra faz alusão a eventos e personagens que estão de alguma forma presentes na memória coletiva. São fatos descontextualizados que, ao se apresentarem fora de qualquer narrativa ou argumento preciso, abrem ao espectador a possibilidade de uma relação talvez mais subjetiva com as situações apresentadas. Na sucessão de imagens convergem e convivem sentimentos opostos (comédia e tragédia, o familiar e o estranho, o literal e o metafórico). A música, de Sylvia Meyer, é um componente essencial da obra porque completa o significado e o sentido das sequências.
Haciendo Mercado (2007, 3’19”)
Roteiro / Direção: Erika Meza e Javier López
Interpretação e tradução: Daniel González
Câmera e fotografia: Christian Núñez
O vídeo de Javier López e Erika Meza apresenta – em registro paródico – um indígena fazendo uma conferência em guarani, seguindo a retórica do discurso de Philip Kotler, o guru do marketing. A situação perturba a lógica da mensagem e coloca em evidência o atrito entre os mundos distintos.
Tatzu Rors - Deixa eu falar! (2011, 10'14")
Roteiro / Direção: Tatzu Rors
Câmera: Arnaldo Belotto
Edição: Paulo Faria
Atores: Arthur Tuoto, Orlando Anzoategui e Carlinhos Gonçalves
Tatzu Rors é o nome artístico de Tatzu Nishi, que usa vários pseudônimos como parte de sua obra. Desde os anos 90, o artista trabalha com grandes intervenções no espaço público, transformando monumentos e prédios em novos espaços, alterando sua percepção habitual. A obra "Deixa eu falar!" também se relaciona com o interesse do artista em confrontar "interno x externo", "privado x público".
Ali Kazma - Clockmaster (2006, 15'09")
Direção: Ali Kazma
Cortesia do artista e Galeria Nev, Istambul
Durante todo o vídeo, um relojoeiro experiente desmonta, limpa e remonta um complexo relógio. A abertura do vídeo dá ao espectador a sensação de um drama desconfortável. A desmontagem do relógio significa o desenrolar do tempo e da ordem, antecipando sentimentos de medo da morte e do caos. A remontagem do relógio restaura o senso de ordem no mundo do espectador e alivia sentimentos de confusão e o desconforto do medo. A habilidade técnica e a precisão do relojoeiro são captadas em cada close-up, revelando que cada engrenagem e parafuso são recolocados precisamente no exato lugar a que pertencem, dando ao espectador uma sensação de encerramento.
Gutierrez + Portefaix - City of Production (2008, 52')
Direção: Laurent Gutierrez e Valérie Portefaix
Cortesia dos artistas
“City of Production” é um filme que retrata a fábrica Sung Hing – uma, entre milhares de fábricas – no Pearl River Delta, na China. Laurent Gutierrez e Valérie Portefaix são também conhecidos como MAP OFFICE, uma plataforma multidisciplinar. Trabalham em territórios físicos e imaginários usando variados meios de expressão como desenho, fotografia, vídeo, instalação, performance, além de textos literários e teóricos. O projeto é uma crítica de anomalias espaço-temporais e apresenta como os seres humanos subvertem e usam o espaço.